"Mais importante que a adaptação aos robôs, precisamos de evoluir em questões de igualdade”

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"Mais importante que a adaptação aos robôs, precisamos de evoluir em questões de igualdade”

"Mais importante que a adaptação aos robôs, precisamos de evoluir em questões de igualdade”

Os dados mostram que a área das Tecnologias de Informação (TI) é uma das áreas com maior empregabilidade, mas revelam também que esta é, quase exclusivamente, uma carreira para homens. Para inverter esta tendência, organizações como a Geeks for Girls têm desenvolvido diferentes iniciativas com o objetivo de trazer as mulheres para o mundo da tecnologia.

A tecnologia ainda é um mundo de homens porque a carreira no setor das Tecnologias de Informação (TI) não atrai as profissionais do sexo feminino. Os dados comprovam esta realidade, assente numa diferença tão significativa de género, no setor tecnológico. As mulheres representam menos de 3% dos profissionais de IT e a maioria das mulheres na Europa, Israel e Estados Unidos da América já decidiu, antes dos 16 anos, não optar por este percurso profissional, revela um estudo recente realizado pela Kaspersky Lab. 

 

A tecnologia ainda não é dominada por elas, mas instituições públicas e iniciativas privadas estão empenhadas em inverter esta tendência para que exista uma maior igualdade de género, em matéria de empregabilidade digital.

 

A Geek Girls Portugal trabalha diariamente para trazer mais mulheres para a esfera tecnológica, desmistificando estereótipos, envolvendo, inspirando e capacitando jovens a optarem por uma carreira na área tecnológica ou mulheres com uma carreira já consolidada.

 

Nos últimos sete anos aquela que se afirmou como a primeira comunidade para mulheres em tecnologia em Portugal, construiu uma “forte” rede com cerca de 500 mulheres que se apoiam e encorajam mutuamente a perseguir e a manter uma carreira na área tecnológica em Portugal, em cinco cidades portuguesas: Porto, Lisboa, Braga, Coimbra e Leiria.

 

Vânia Gonçalves, a fundadora da comunidade dinamizada por uma equipa de 20 voluntárias, todas mulheres, claro, explica que os encontros e os workshops “em muito têm contribuído” para essa missão, assim como as ferramentas online de colaboração e comunicação. “Os encontros que organizamos são quase sempre organizados nas instalações de empresas, o que permite às empresas conhecerem profissionais femininos e quebrar barreiras em futuras oportunidades de emprego”, exemplifica a voluntária da comunidade, professora e investigadora da Universidade do Porto.

 

A redução do gap entre a procura e a oferta dos profissionais de TI no mercado passa por uma maior aposta na educação e, nesta matéria, as atividades nas escolas são fundamentais, encorajando jovens mulheres a optarem por uma carreira na área tecnológica e a mostrar-lhes as diferentes profissões nesta área, dando a conhecer profissionais-modelo e desmitificando estereótipos.

 

Para breve está previsto o lançamento de um programa de mentoria que vai permitir “apoiar ainda mais as mulheres que fazem parte da comunidade nas suas escolhas profissionais”, adianta a responsável da comunidade. “O apoio às mulheres na área tecnológica, quer através dos encontros e workshops, quer através da mentoria é fundamental para incentivar as mulheres a manterem uma carreira nesta área”, sustenta Vânia Gonçalves, explicando que as voluntárias da comunidade participam frequentemente como oradoras em conferências na área tecnológica.

 

Na era digital e da quarta revolução industrial, a missão da Geek Girls Portugal tem um papel ainda mais importante. A chave para a adaptação é “o conhecimento”, sustenta a fundadora da comunidade, por isso, nos encontros são abordados vários temas como a inteligência artificial, personalização, machine learning, entre outros. 

 

Como é que nos vamos adaptar a esta disrupção tecnológica? Vânia Gonçalves acredita que, para além das competências técnicas, que necessitam de constante atualização, são também chave as competências de criatividade, capacidade de resolução de problemas, colaboração e pensamento crítico.

 

E em matéria de competências não há diferenças de género, defende. “Considero que no contexto de trabalho os homens e as mulheres podem dotar-se das mesmas competências. Não acredito, por isso, que as mulheres têm vantagens sobre os homens e vice-versa. Mais importante que a adaptação à existência de robôs no nosso dia a dia, precisamos é de evoluir em questões de igualdade, de salário, de oportunidades, de tratamento, entre homens e mulheres no contexto profissional”, conclui a fundadora da Geek Girls Portugal, que o movimento internacional Girl Geek Dinners em 2009, quando trabalhava em Bruxelas e decidiu importar o conceito para Portugal.